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Procedimentos

Goniotomia: o que é, como é feita e quando é indicada

3 de julho de 2026
Goniotomia: o que é, como é feita e quando é indicada

O glaucoma é uma das principais causas de cegueira irreversível no mundo. Em bebês e crianças, ele pode estar presente desde o nascimento — e exige intervenção cirúrgica precoce para preservar a visão em desenvolvimento.

A goniotomia é um dos procedimentos cirúrgicos mais utilizados no tratamento do glaucoma congênito e de determinados tipos de glaucoma em adultos. Por atuar diretamente na estrutura de drenagem do olho, ela oferece resultados expressivos com uma abordagem minimamente invasiva.

Se você é pai, mãe ou cuidador de uma criança com glaucoma, ou se você mesmo recebeu essa indicação cirúrgica, este guia vai explicar com clareza o que é a goniotomia, como ela funciona e o que esperar do procedimento.

O que é goniotomia?

A goniotomia é uma cirurgia ocular que atua diretamente no ângulo iridocorneal, região localizada entre a íris e a córnea onde fica o sistema de drenagem natural do olho, chamado de trabéculo.

Nessa cirurgia, o oftalmologista utiliza uma lente especial chamada goniolente para visualizar o ângulo do olho com precisão e, com um instrumento cirúrgico fino, cria uma abertura no tecido que está bloqueando a drenagem do humor aquoso, líquido produzido dentro do olho.

Ao remover esse obstáculo, o humor aquoso passa a escoar com mais facilidade, reduzindo a pressão intraocular para níveis seguros e protegendo o nervo óptico do dano progressivo causado pelo glaucoma.

Goniotomia é indicada para qual tipo de glaucoma?

A goniotomia é indicada principalmente nos seguintes cenários:

Glaucoma congênito primário: é a indicação mais clássica da goniotomia. No glaucoma congênito, o sistema de drenagem do olho não se desenvolveu corretamente durante a gestação, causando pressão elevada desde o nascimento ou nos primeiros anos de vida. A goniotomia é o tratamento cirúrgico de primeira escolha nesse caso.

Glaucoma juvenil: tipo de glaucoma que se manifesta em crianças maiores e adolescentes, com características anatômicas semelhantes ao glaucoma congênito. A goniotomia apresenta bons resultados nesse grupo.

Glaucoma do adulto em casos selecionados: em adultos com determinados tipos de glaucoma de ângulo aberto que não respondem adequadamente ao tratamento clínico, a goniotomia pode ser indicada como alternativa às cirurgias filtrantes tradicionais, especialmente quando combinada com outros procedimentos.

A indicação cirúrgica é sempre individualizada e baseada em uma avaliação completa do oftalmologista especializado em glaucoma.

Como é realizada a cirurgia de goniotomia?

A goniotomia é realizada em centro cirúrgico, sob anestesia geral em crianças pequenas e anestesia local com sedação em adultos. A duração média do procedimento é de 20 a 40 minutos por olho.

Durante a cirurgia, o paciente fica posicionado de forma que o oftalmologista consiga visualizar o ângulo do olho com a goniolente acoplada à superfície da córnea. Com o auxílio do microscópio cirúrgico, o cirurgião introduz uma agulha ou faca goniotômica através de uma pequena incisão na córnea e secciona o tecido trabecular que está bloqueando a drenagem do humor aquoso.

O procedimento não envolve cortes externos no globo ocular e não deixa cicatrizes visíveis. Por ser realizado pelo interior do olho, a recuperação tende a ser mais rápida do que nas cirurgias filtrantes convencionais, como a trabeculectomia.

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Goniotomia é usada em crianças com glaucoma congênito?

Sim. A goniotomia é o procedimento cirúrgico de primeira escolha para o tratamento do glaucoma congênito primário, sendo amplamente utilizada em bebês e crianças pequenas em todo o mundo.

No glaucoma congênito, o ângulo iridocorneal não se formou corretamente durante o desenvolvimento fetal. Existe uma membrana ou tecido anômalo cobrindo o trabéculo que impede o escoamento adequado do humor aquoso. A goniotomia remove esse obstáculo diretamente, restaurando a drenagem natural do olho.

Os pais de crianças com glaucoma congênito frequentemente se preocupam com a segurança do procedimento em bebês tão pequenos. É importante saber que a cirurgia é bem estabelecida, com décadas de experiência acumulada na oftalmologia pediátrica, e que adiar o tratamento representa um risco real de dano permanente ao nervo óptico em desenvolvimento.

Os sinais que podem indicar glaucoma congênito em bebês incluem olhos grandes, lacrimejamento excessivo, sensibilidade intensa à luz e olhos que parecem nublados ou acinzentados. Diante de qualquer um desses sinais, a avaliação oftalmológica deve ser imediata.

Quais são os riscos da goniotomia?

Como qualquer procedimento cirúrgico, a goniotomia apresenta riscos que devem ser discutidos com o médico antes da decisão. Os principais incluem:

Hifema: sangramento dentro do olho, na câmara anterior, é a complicação mais comum da goniotomia. Na maioria dos casos, o sangue é reabsorvido espontaneamente em poucos dias sem comprometer o resultado cirúrgico.

Controle insuficiente da pressão: a goniotomia pode não reduzir a pressão ocular para níveis ideais em todos os casos, especialmente em glaucomas mais avançados ou com anatomia desfavorável do ângulo.

Necessidade de nova cirurgia: em alguns pacientes, especialmente crianças, pode ser necessário repetir a goniotomia ou realizar outro procedimento complementar para manter o controle da pressão ocular.

Dano à íris ou ao cristalino: complicação rara, relacionada à posição cirúrgica do instrumento durante o procedimento.

Infecção: risco baixo mas presente em qualquer cirurgia ocular. O uso de colírios antibióticos no pós-operatório reduz significativamente essa possibilidade.

A identificação precoce de qualquer complicação no acompanhamento pós-operatório é fundamental para o resultado final.

Goniotomia é diferente de trabeculotomia?

Sim. Goniotomia e trabeculotomia são procedimentos distintos, embora ambos atuem no sistema de drenagem do olho para tratar o glaucoma congênito.

Na goniotomia, o acesso ao trabéculo é feito pelo interior do olho, com visualização direta do ângulo por meio da goniolente. O cirurgião trabalha de dentro para fora, seccionando o tecido trabecular de forma precisa.

Na trabeculotomia, o acesso é feito externamente, com uma pequena incisão na esclera. Um instrumento é introduzido no canal de Schlemm e rotacionado para romper o trabéculo de fora para dentro.

A escolha entre as duas técnicas depende da clareza da córnea, da anatomia do ângulo e da experiência do cirurgião. Em casos de córnea opacificada, que impede a visualização do ângulo, a trabeculotomia pode ser preferida. Em muitos centros, ambas as técnicas são combinadas para aumentar a taxa de sucesso.

A goniotomia e a trabeculotomia são alternativas às cirurgias filtrantes como a trabeculectomia e o implante de válvula de Ahmed, que são reservadas para casos mais complexos ou refratários.

Qual é o tempo de recuperação após a goniotomia?

A recuperação após a goniotomia é geralmente mais rápida do que nas cirurgias filtrantes convencionais, graças à abordagem minimamente invasiva do procedimento.

Na primeira semana, é comum o olho apresentar vermelhidão e discreta sensibilidade. O uso de colírios antibióticos e anti-inflamatórios é necessário nesse período. Em crianças submetidas à anestesia geral, pode haver um pouco mais de sonolência e irritabilidade nas primeiras horas após o procedimento.

Nas primeiras duas a quatro semanas, devem ser evitados esforços físicos intensos, natação e contato direto com o olho operado. Em crianças pequenas, pode ser necessário o uso de protetores oculares para evitar que toquem o olho.

O acompanhamento com o oftalmologista nas semanas e meses seguintes é essencial para monitorar a pressão ocular, avaliar o nervo óptico e garantir que o resultado cirúrgico está sendo mantido. Em crianças, o seguimento é ainda mais importante pois o glaucoma pode progredir mesmo após uma cirurgia bem-sucedida.

Goniotomia pode ser repetida?

Sim. A goniotomia pode ser repetida quando o primeiro procedimento não foi suficiente para controlar a pressão ocular ou quando a pressão volta a subir após um período de controle.

Em crianças com glaucoma congênito, é comum que sejam necessárias duas ou até três goniotomias para obter controle adequado da pressão. Cada procedimento abrange uma porção diferente do ângulo iridocorneal, ampliando a área de drenagem disponível.

Quando múltiplas goniotomias não são suficientes, o oftalmologista pode indicar procedimentos complementares, como a trabeculotomia, a trabeculectomia ou o implante de válvula de Ahmed, sempre baseando a decisão no perfil clínico individual do paciente.

Quando indicar cirurgia de goniotomia para glaucoma?

A goniotomia deve ser indicada quando o diagnóstico de glaucoma congênito ou juvenil é confirmado, independentemente da idade do paciente. Nesse contexto, a cirurgia não deve ser postergada, pois a pressão elevada danifica o nervo óptico em desenvolvimento de forma rápida e irreversível.

Em adultos, a goniotomia é considerada quando o glaucoma de ângulo aberto não responde adequadamente ao tratamento clínico com colírios e quando a anatomia do ângulo é favorável para o procedimento.

Procure avaliação especializada se a criança apresentar olhos grandes ou protuberantes, lacrimejamento excessivo sem causa aparente, aversão intensa à luz, ou se já existe diagnóstico de pressão ocular elevada. Em adultos, a indicação para goniotomia deve ser discutida com o oftalmologista especializado em glaucoma após avaliação completa que inclua mapeamento de retina, campimetria e OCT do nervo óptico.

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